de pouco importa como se escreve e o que se escreve. como diz a letra de uma musica que o Chico fez, que por sinal é genial, não pela sua qualidade e sim pela sua sinceridade: talvez foi um pouco mais que saudade.
a qualidade da banda era irrelutavelmente duvidosa, mas a sinceridade que cantávamos estava a quem de tudo e isso é realmente o que importa, é isso que torna as lembranças alvas e cristalinas. A liberdade de cantar a verdade, a liberdade de rir do que é engraçado, a liberdade de fazer o que se quer, a liberdade. A liberdade nos deixa.Deixa. de tudo pouco importa, o futuro é um mundo onde tudo existe. Se eu pudesse encontrar uma pessoa seria Jorge Luís Borges, andar pelas ruas de Buenos Aires o vento seco certamente seria tema de alguma conversa da influência do relevo sulista e dos tempos em que Buenos Aires junto com seus bonde carregavam esperanças, olharia para frente já com passo debilitado o brilho do sol poente faria do rosto dele, um rosto estranho hora assustador hora afável, mas sempre pacífico e candido, certo,concentrado. Todas as palavras desde o rumo dos ventos sulistas até sua cegeira seriam ( e são ) verdadeiras, mas não são verdadeiras para o espectador, no casos eu, são verdadeira para ele e pouco importa evolucionismo ou criacionismo, " o mundo é tão complexo que qualquer explicação é válida." Ventaria muito e o parque onde certamente teríamos marcado o nosso encontro com seus bancos de três lugares típicos de parques seriam uma boa opção, sentaríamos, e poucas palavras seriam trocadas e assim seria melhor, eu apenas gostaria de ouvi-lo, ouvir, o silêncio seria completamente confortavél. Não estaria tocando, mas poderíamos ouvir com perfeição o afar sobre nossos cabelos cinco ou seis violinos afinados e ensaiados, tocariam para nós, tocariam para o fim. Um fim, o fim. Ele levantaria após 20 minutos de conversa, se despediria com um aperto de mão tremulo e falaria de algum sonho, algum sonho como " ontem sonhei que um homem de terno me olhava fixamente, achei engraçado aquela figura a me fitar, ela tinha uma estatura mediana e levava uma das mãos ao bolso esquerdo terno, ao me aproximar percebi que ele tinha uma mão de pássaro. Ele sempre teve mão de pássaro, engraçado que eu sempre soube disso e mesmo assim me assustei. Bom, preciso ir." Viraria e sumiria por entre a alameda, o terno de tweed, a bengala e a calça marrom. Certamente choraria. Certamente mudaria. "Talvez seja um pouco mais que saudade." Não sei como pensa a minha geração, não sei se o excesso de informação ou a falta dela nos faz perdidos em entre um mundo turbulento e completamente mutável, mas o romântismo que nos cincunda é algo incompleto. Completamente vicioso, poucos que conheço sentem saudade o tempo todo e todos eles são especiais pois suas saudades não sabem de onde vêm.
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